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O “pré-conceito” e o bullying na sociedade e adolescência

O bullying é muito presente na sociedade, infelizmente os mais afetados, tanto como agressores quanto como vítimas são os adolescentes. Devemos respeitar a todos por serem Humanos!

18 Set 2017 Crianças e adolescentes - Leitura: min.

São Miguel d'Oeste Santa Catarina

Estive refletindo acerca deste assunto nos últimos dias. Parece que estamos nos tornando cada vez mais vazios, egoístas, centrados em nós mesmos, na nossa zona de conforto e não somos capazes de ver a dor do nosso próximo. Têm se criado muitos paradigmas e preconceitos advindos da mídia social.

A consideração e o respeito pelo próximo tem se perdido, a empatia já não existe, o colocar-se no lugar do outro, perceber a dor do outro, ajudar, valorizar o outro pelo simples fato de ser humano tem se perdido cada vez mais.

No passado haviam os grupos sociais e etnias que eram menosprezadas, excluídos e, em muitas ocasiões houve a tentativa de banir os considerados diferentes, escórias da sociedade. Hoje, com a implantação das leis dos Direitos Humanos isto não acontece, de forma assumida como antes, mas, seríamos hipócritas se afirmássemos que o problema foi resolvido e que a exclusão em massa não existe, pois ela existe, só que de maneira disfarçada, dissimulada, camuflada.

Não somos melhores que nossos ancestrais que escravizavam o povo africano, os considerando como sub-humanos, ou do que os que lutavam ao lado de Hitler pela exterminação do povo Judeu. Hoje seguimos o que a mídia nos impõe e excluímos os "inadequados", pois temos medo de nos tornar como eles.

Atualmente os diferentes têm sido excluídos quando uma pessoa com sobrepeso não encontra uma roupa que se adéque a ela, quando valorizamos mais alguns pelo poder aquisitivo, posição e status social, quando julgamos o outro por sua aparência, quando nos sentimos superiores a alguém seja pela capacidade intelectual, pelo trabalho desempenhado, pela aparência física, etc.

O bullying sempre existiu, mas hoje, com as tecnologias, ele está pior e mais cruel, ultrapassando os limites da escola e do trabalho, inserindo-se cada vez mais no cotidiano das pessoas com a ajuda da tecnologia e das redes sociais. Daí surgiu o cyberbullying, que é o bullying pela internet.

Quem mais sofre e pratica bullying são os adolescentes, que estão em fase de descobertas, formando seus grupos sociais e são muito ligados às tecnologias. Então, as diferenças podem começar a ficar em evidência, quando alguns crescem demais outros menos, quando alguém tem um comportamento diferente, quando não segue a maioria.

Os que obedecem os pais e/ou gostam de estudar são chamados de "careta", "nerd", como se isto fosse estranho. As adolescentes então ficam perdidas, sem saber como agir, pois, se não beijam alguns meninos e não tem relação sexual até uma certa idade (conforme a maioria das colegas), são discriminadas e, se ultrapassam um pouco do que as colegas fazem, já são tachadas de vadias, promíscuas e consideradas como má companhia, indiferente de ter uma mudança de atitude após o ocorrido.

As pessoas caçoam das outras sem pensar nas consequências, sem refletir sobre o que este ato pode causar na vida do outro, nas feridas que pode deixar, na vida que pode ser destruída por não sentir-se um ser de valor, por ter sido tão desvalorizado e incompreendido pelos pares.

A adolescência é uma fase de construção de identidade, muito importante no desenvolvimento, é onde a pessoa passa a se afirmar, formar seu eu, também é uma fase onde as emoções estão mais afloradas, tudo é muito intenso. Então, as críticas causam maior prejuízo, atingem profundamente, deixando marcas. Além disto, na adolescência as referências deixam de serem tanto os pais e passam a serem os pares, portanto, quando estes excluem, desvalorizam, isso afeta muito, perturba, inquieta, e pode levar a graves consequências.

E esta questão não envolve apenas "agressores" de um lado e "vítimas" no oposto. Não. As vítimas podem estar dos dois lados e os agressores também. O agressor na escola/trabalho pode ser aquele que é vítima em casa, pode ter crescido ouvindo críticas, tendo a necessidade de ser bom/perfeito em tudo, e acaba projetando isto em seus colegas. A vítima na escola/trabalho pode ser agressor também, tanto neste mesmo ambiente, sendo cruel com alguém que considera mais "fraco", ou em casa e demais ambientes, numa tentativa, muitas vezes inconsciente, de se "vingar" de seus agressores.

Este fato nos mostra que realmente a violência só produz violência, e que a forma como a sociedade se organiza precisa mudar. O preconceito precisa parar. Não devemos ter respeito pelas pessoas pelo que elas são ou fazem, mas, devemos ter respeito pelas pessoas pelo simples fato de serem humanos! Todos temos qualidades e defeitos, e se aceitarmos apenas o perfeito, não aceitaremos ninguém e nos decepcionaremos muito!

Não se quebra o preconceito dizendo às crianças que devem respeitar a pessoa com deficiência, a pessoa negra, a pessoa diferente. O preconceito para quando dizemos às crianças que devem respeitar o humano! Pois as diferenças existem, são necessárias e sempre existirão. Diferença de gênero, de raça, de gostos, de opiniões, de pensamentos, de prioridades, etc., e são maravilhosas pois nos tornam únicos, singulares e incomparáveis. Então, vamos respeitar a Humanidade!

O “pré-conceito” e o bullying na sociedade e adolescência

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