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O fim machuca, mas o recomeço cura!

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Você está preparada/o para abraçar sua dor, seu sofrimento, experimentá-lo e encontrar um novo caminho para a sua vida? Não há por que permanecer estancado!

8 NOV 2018 · Leitura: min.
O fim machuca, mas o recomeço cura!

“Não é o fim; apenas a oportunidade para um novo começo”.

“Para cada final, há um novo começo”.

Esses provérbios, às vezes, podem até parecer banais, mas têm validade. Afinal, todos nós, em algum momento da vida, somos confrontados por alguma perda. Perdemos um emprego, um amor, amigos, um familiar. E quando isso acontece, é preciso deixar ir, mesmo lamentando a morte do que nunca mais será.

Como você se recupera quando se sente totalmente esmagado pela vida? Quando seu coração literalmente dói a cada batida?

A sensação da perda é terrível: você fica arrasado. Respira pela sua vulnerabilidade e se pergunta: “Por que isso aconteceu?"

A vida reserva a todas muitas dificuldades: desgosto, doença, ferimentos, morte, abandono. Embora possamos compartilhar experiências semelhantes, toda dor é pessoal. Não importa quantas vezes pessoas bem intencionadas digam “nós entendemos”; sabemos que elas não conseguem realmente compreender, pela singularidade do que se passa dentro de cada um.

Como psicoterapeuta, constantemente estou com pessoas feridas. Eu testemunho a dor delas e faço o meu melhor para ajuda-las abrir espaço para a cura. Mesmo quando gritam: “Por que isso aconteceu?" Eu procuro não me envolver em consolo reativo.

Conselhos ou respostas rápidas sempre parecem falsos, até insultuosos, quando alguém está profundamente magoado.

Depois de muitos anos praticando psicoterapia, isto é o que aprendi: quando você é violentamente derrubado pela vida, não tente se levantar abruptamente. É preciso tempo. É como tropeçar e cair. Se tem o impulso de se levantar e começar a se mover imediatamente, corre o risco de nova queda. A dor exige atenção, precisa ser reconhecida e aceita antes que você possa seguir em frente.

A história de Amanda

Quando conheci Amanda, ela acabara de sofrer uma das piores feridas: a morte de seu filho pequeno. Durante semanas, em sessões individuais, ela se sentou em silêncio, distante e resignada. “Lágrimas não vão trazer meu filho de volta”, ela dizia categoricamente. Mantinha sua rotina trabalhando na área de finanças e evitava a sua dor.

Quando pedi que comparecesse a um trabalho de grupo que realizava, ela zombou: "Sem sentido". Mas, com um pouco de estímulo, concordou. "Eu vou fazer isso por você", ela suspirou, "mas é uma perda de tempo."

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Durante sua primeira sessão em grupo, quando perguntada por que ela estava em terapia, Amanda suspirou e respondeu: “Meu filho... el ... meu filho…" e de repente, não conseguiu mais falar. Não conseguia encontrar palavras. Lutou para engolir sua dor e sufocar as lágrimas. Por fim afirmou “foi um erro vir aqui. Desculpa." Quando ela se levantou para sair, uma mulher rapidamente lhe estendeu a mão e disse, calorosamente, “Eu perdi um filho também."

Foi então que Amanda recostou-se no banco e deixou as lágrimas escorrerem. Ela chorou emocionadamente por muito tempo, ofegando por ar quando o grupo abriu espaço para sua dor. A partir deste momento, passou a frequentar todas as sessões do grupo, além da terapia individual e, lentamente, foi percebendo que a melhor maneira de honrar seu filho era encontrar uma nova maneira de abraçar a vida.

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O que fazer depois de ter sido emocionalmente ferido

Eu me incluo entre os de coração partido. Eu já perdi um emprego, sofri com romances que não deram certo, perdi parentes queridos e experimentei desgostos. Eu chorei sozinha na rua, no meu escritório, às vezes com amigos e familiares, e até com pacientes. Eu tentei evitar mágoas, mas, como todo mundo, ela acabou me encontrando. É uma das certezas cruéis da vida, mas temos que seguir em frente e compreender que o recomeço cura.

Como apoiar o seu processo de cicatrização

1) Aceite sua dor

Evitar a dor somente vai aumenta-la. Para curar, você deve passar pela porta, ou seja, acessar a dor. Feridas emocionais estão além da "tristeza"; elas são sentidas nas profundezas do seu ser. Aceite sua dor, não fuja disso. Para isso, reserve tempo para refletir e se dê permissão para sofrer. Se as pessoas bem intencionadas te “empurrarem para superar“, ignore-as. Tempo e paciência são fundamentais no processo de recuperação. Cerque-se de amigos que entendem isso.

2) Estenda a mão

Estar sozinho faz parte da cura, mas longos períodos de isolamento não são saudáveis. A dor profunda sempre traz “demônios pessoais”, como se culpar, abraçar a vítima ou a amargura. Tais escolhas criam armadilhas, não liberdade. Estenda a mão para amigos, encontre grupos de apoio, busque conforto em oração, meditação ou filosofia - o que lhe traga paz de espírito. Em vez de desejar um milagre, crie um.

3) Faça uma pausa

É importante fazer uma pausa na dor e envolver-se em atividades saudáveis. Todos encontram alívio de maneiras diferentes. Alguns se ocupam com ações criativas, como escrever, ler, música, arte ou cinema. Outros o encontram em movimento, como dança, exercícios físicos, etc. Escolha uma tarefa que lhe permita se soltar, entrando em outra realidade, mesmo que seja apenas por alguns instantes. Não se preocupe, sua dor estará lhe esperando quando voltar, mas você estará mais fortalecido, descansado e pronto para enfrentá-la.

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4) Aprenda com o processo

Ouvi dizer que o caminho para a sabedoria está cheio de sofrimento. Refletir, explorar e ponderar, sem autoataque ou culpa, vai lhe proporcionar uma maior compreensão e compaixão por si e pelos outros. Uma atitude de aprendizado irá ajudá-lo a descobrir valor na experiência. Você também pode descobrir uma nova liberdade curiosa: recuperar-se de um trauma emocional ou de um coração partido faz com que você se torne mais forte, mais sábio e mais resiliente.

5) Mexa-se

Algumas pessoas permitem que o sofrimento as defina, as modele e, em última análise, roube-lhes a vida. Muitos anos atrás, fui convidada para um casamento entre duas pessoas de 80 anos. Sim, duas pessoas com 80 anos de idade. Todos que compareceram ficaram profundamente comovidos, não pelo serviço, mas pelo espírito do casal de continuar vivendo.

Depois que você se dá tempo para lamentar e lamentar, depois de buscar apoio e se permitir iniciar um processo de recuperação, é preciso tomar uma decisão: irá utilizar sua dor emocional para “ficar no limbo” ou você decidirá usá-la para impulsioná-lo em uma nova direção?

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Você se lembra da Amanda? Aquela jovem mulher que perdeu o filho? Anos depois de terminar sua terapia de grupo, ela telefonou para me atualizar sobre sua vida. Amanda deixou seu emprego no banco e se formou em educação infantil. Estava trabalhando na escola primária que seu filho deveria frequentar antes de morrer. Quando perguntei como ela estava se sentindo, respondeu simplesmente: “Eu ainda sinto a falta do meu pequeno. Mas eu tenho tantos filhos para cuidar agora que estou feliz. Eu gosto de imaginar que meu filho, onde quer que ele esteja, tem muito orgulho de sua mãe."

Amanda viveu seu luto, sua dor. Mas ela seguiu em frente, superou e encontrou um novo modo de vida. Curou suas feridas ao escolher ser feliz.

Fotos: MundoPsicologos.com

Escrito por

Psicóloga Elaine Mardegan - NeoLiv

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