Construção de relacionamentos amorosos saudáveis e suas implicações

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Assuntos relacionados ao amor são constantes nas interações humanas. Esse texto traz a reflexão sobre os relacionamentos amorosos saudáveis e sua interface com a saúde mental.

31 Jul 2019 · Leitura: min.
Construção de relacionamentos amorosos saudáveis e suas implicações

É comum ouvir essas frases no cotidiano: "Você precisa de um (a) namorado (a) que te complete", "A gente conhece a pessoa só depois que casa", "Todo homem é igual, só muda de endereço", "Sentir ciúmes significa sinal de amor" ou "Como está seu relacionamento?".

Quando paramos para refletir sobre essas frases e muitas outras que permeiam nossas relações sociais vamos entendendo que há generalizações da imagem de homem e mulher, mitos construídos historicamente, idealizações de um amor perfeito voltado ao preenchimento do vazio existencial. Assim é como se o indivíduo só se sentisse completo na medida em que estivesse relacionando-se amorosamente com alguém.

O fenômeno amoroso geralmente é percebido como um elemento associado à felicidade, qualidade de vida, bem-estar psíquico, saúde emocional, paixão, transformação vivencial (tanto que o amor pode ser capaz de modificar relações sociais doentias em relações saudáveis em sua íntegra). Estudos científicos revelam sua intrínseca relação ao bem-estar subjetivo e singular de cada sujeito, assim as relações interpessoais marcadas por esse fenômeno são capazes de promover saúde mental.

Existe uma construção de paradigmas sócio-histórico-cultural dos relacionamentos amorosos e, na atualidade, falar sobre esse assunto é um grande desafio. Na cultura contemporânea as relações interpessoais são experienciadas por meio de vínculos que podem ser estabelecidos através de um contato presencial bem como um contato virtual. Portanto, saber lidar com as transformações culturais são essenciais para compreender as subjetividades individuais, no que diz respeito aos relacionamentos amorosos.

É perceptível as transformações subjetivas que o homem sofreu com a globalização. Dentre elas o fortalecimento da cultura do consumismo, o excesso de informações na era do imediatismo, o princípio do prazer em destaque, a substituição do "ser" pelo "ter", a busca de um novo ideal de felicidade, relações interpessoais tóxicas e abusivas, enfatizando-se vínculos cada vez mais descartáveis. Infelizmente o adoecimento mental tem atingido muitos lares. Como está o seu lar hoje?

Na ciência psicológica é possível encontrar várias interpretações e estudos sobre os relacionamentos saudáveis sendo aquele tipo de relação em que há respeito, atenção, admiração e dialogo, o verdadeiro encontro mútuo, no qual duas pessoas se fortalecem diante da capacidade de amar e ser amado, falhar e ter humildade para reconhecer onde pode melhorar e estimular a comunicação dialógica como via de mão dupla: "Eu preciso te escutar para ser escutado também".

Nesse sentido, nossa maior dúvida está em compreender como construir relações amorosas de forma saudável. Não há uma regra absoluta para definir se uma relação é mais ou menos saudável do que outra, porém o que pode desencadear felicidade numa relação amorosa depende da subjetividade singular de cada sujeito imerso em seus papeis desempenhados ao longo da vida, bem como seus valores, crenças, cultura, rituais, história vivenciada e contexto social que cada indivíduo traz consigo.

Existem alguns princípios que são básicos na relação amorosa saudável. Por exemplo, a comunicação através do diálogo é essencial, mas não basta apenas falar por meios das palavras seus incômodos, sentimentos ou críticas, é necessário que você fale com o seu corpo, ele engloba o "olho a olho" atento, a entonação da voz calma, escuta compreensiva, as expressões faciais resilientes. Isso permite que mesmo diante de uma situação estressante é possível retornar ao equilíbrio psíquico e agir com sabedoria.

É valido ressaltar que nessa troca comunicativa precisamos saber se o seu contexto e momento são adequados para o desenvolvimento de um bom diálogo, lembrando que o diálogo se torna mais assertivo quando os envolvidos desejam esse encontro vincular.

Outro princípio básico é o autorespeito, na medida em que o respeito predomina em si mesmo há um cuidado genuíno com sua essência, emoções e sentimentos. Assim, existem grandes possibilidades de você saber respeitar o outro, ou melhor, aceitar o seu (a) companheiro (a) como ele (ela) é, incluindo as relações sociais e afetivas que o outro mantém e faz parte.

Também temos como princípio a empatia (saber captar a sensibilidade do outro, bem como colocar-se em seu lugar para entender sua visão de mundo e sentimentos) o que não é tão simples de desenvolver. Porém a empatia pode ser estimulada diariamente através da técnica de inversão de papeis. Usualmente utilizada em contexto de psicoterapia, no entanto podemos estimular nossa capacidade de colocar-se no papel do outro, pensar como o outro pensaria, como o outro se sentiria em determinada situação, como o outro reagiria diante de um desentendimento.

Ainda temos como princípio a reciprocidade. Numa relação amorosa é fundamental que haja vínculo e entrega de ambas partes. Nenhuma relação pode ser construída saudavelmente se apenas um indivíduo está na relação. Dessa forma, não haveria o verdadeiro encontro amoroso. Também é valido ressaltar que a compreensão das necessidades do outro e do casal levam ao fortalecimento da saúde emocional.

Portanto, na construção de um relacionamento amoroso, a base de princípios saudáveis auxilia no desenvolvimento do bem-estar emocional e na qualidade de vida das pessoas. Nem sempre seremos capazes de desenvolver habilidades para a manutenção de um bom relacionamento e precisaremos de profissionais especializados que nos levem ao autoconhecimento capaz de fortalecer nossos vínculos relacionais.

Escrito por

Laryssa da Silva Borges Psicóloga

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