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Comunicação: uma habilidade social a ser trabalhada

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Como você se comunica? No artigo, vamos falar dos estilos possíveis e o que cada um pode trazer para trabalhar essa habilidade na sua vida e evoluir.

22 ABR 2014 · Leitura: min.
Comunicação: uma habilidade social a ser trabalhada

No consultório, pacientes frequentemente se queixam de não serem compreendidos em seus relacionamentos – sejam profissionais, familiares ou amorosos. Alguns conseguem ter problemas ou sofrer em todos os ambientes em que estão envolvidos no dia a dia.

Diante de uma investigação mais aprofundada, percebe-se que a pessoa simplesmente espera que o chefe, parente, parceiro(a) leia seu pensamento – e melhor – compreenda seus desejos mais básicos. Ao perguntar: “Mas você comunicou isto?" ou “Expressou seu sentimento?", muitas vezes, sou olhada como um E.T.

Muitas destas pessoas têm um problema em uma habilidade social fundamental: a comunicação. Mas como elas não são todas iguais, os estilos de comunicar-se também são variáveis e, da mesma forma, os problemas variam. Tentando imaginar um continuum, em uma extremidade temos a comunicação passiva; na outra, a comunicação agressiva. O “caminho do meio" seria a comunicação assertiva. Mas há um quarto modo: a comunicação passivo-agressiva.

Ok, não é fácil desenvolver espontaneamente a assertividade: muitas vezes, não aprendemos isto em casa ou na escola. Sem sentir, copiamos modelos parentais com os quais nos identificamos (mesmo não estando conscientes disto). É importante ter atenção e autoconsciência para perceber o próprio estilo que se adota hoje, predominantemente. Afinal, ele pode complementar e alimentar o extremo oposto, sendo o causador da queixa para buscar a terapia.

Quem é agressivo, em geral intimida e impõe sua vontade, pois encontra muitas vezes à sua volta pessoas passivas, que se submetem, muitas vezes por não quererem discutir. Se encontra outra pessoa com tendência à agressividade, o clima pesa e os outros, ao redor, sofrem com a disputa.

Já o tipo mais difícil de identificar, de cara, é o passivo-agressivo: às vezes, sua forma de revidar nem vem ao conhecimento. É uma sabotagem aqui que se faz, uma casca de banana ali, sutil. E este tipo é muito difícil de se assumir, reconhecendo-se como tal.

Quando a pessoa tende à agressividade ou passividade, em geral, é mais autoevidente. Muitas vezes vai buscar terapia por conta de queixas dos outros – no caso de quem é agressivo e que recebeu punições por isto, ou não aguenta mais as queixas dos pares. No caso da pessoa passiva, procura terapia por se perceber 'engolindo sapos' desnecessários, que muitas vezes acaba gerando problemas de saúde – física ou mental. Mas o estilo passivo-agressivo… ah, este é difícil de perceber e (se) aceitar.

Que tipo é este? É aquela pessoa que parece ser passiva, ou ter natureza pacífica, mas que vai de alguma forma retaliar a agressão recebida. Ao invés de se posicionar, confrontar ou expor seus sentimentos, vai 'sabotar'. Exemplos: se for no trabalho, pode atrasar a entrega da sua parte fundamental, acabando por prejudicar quem o humilhou. Nas relações amorosas pode trair, só para 'dar o troco' – claro, tudo muito veladamente, pois foge da confrontação.

Pode só ficar em silêncio e ir fazendo as coisas que minam o cotidiano. É bem verdade que há pessoas também que fazem isto sem se dar conta. Não estão conscientes de seu modo de ser, agir e falar e, por não se enxergarem, adotam comportamentos disfuncionais e com isto afastam de si as pessoas.

E o que seria a comunicação assertiva? Seria comunicar clara e objetivamente a sua opinião e seus sentimentos, com abertura para ouvir a outra parte e também aceitar sugestões. No entanto, apesar de parecer à primeira vista que este é sempre o melhor modo, não é. Em algumas situações, é importante se ter uma atitude passiva, para mera sobrevivência – como no caso de um assalto. Em outros, pode até ser que um pouco de agressividade faça a diferença. Portanto, é importante saber distinguir as situações (bem como ter noção do perigo).

Segundo a terapia cognitivo-comportamental, é possível treinar e adquirir habilidades sociais, desde que não haja nenhum outro grande comprometimento ou transtornos. E não só as habilidades de comunicação, mas várias outras. Se você percebe que isto é um problema que o aflige, busque psicoterapia.

Foto: por Seoulful Adventures (Flickr)

Escrito por

Thays Babo

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