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Autossabotagem: o único prejudicado é você!

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Artigo revisado pelo Comitê de MundoPsicologos

Sabotagem é aquilo que nos interrompe ou impede de alcançar algo. Falar de autossabotagem é falar das dinâmicas alimentadas por nós mesmos e que somente nos prejudica. Descubra por quê.

4 JUL 2017 · Leitura: min.
Autossabotagem: o único prejudicado é você!

Sabotagem é toda ação ou efeito que danifica, interrompe ou aborta um plano, meta ou desejo. A maioria das pessoas que se autossabotam sequer têm consciência de suas atitudes, e acabam sendo vítimas de suas próprias armadilhas. Veja o que psicóloga Maitê Hammoud tem a dizer.

Inúmeras razões e emoções podem estar ligadas ao ato de se autossabotar. Tentaremos, ao longo deste artigo, contextualizar e conscientizar sobre os comportamentos que você possui e que podem ser a causa de impedimentos das conquistas tão almejadas, assim como de sua evolução e amadurecimento.

Perfil do autossabotador

O perfil dos autossabotadores costuma envolver principalmente dois tipos de pessoas:

  1. Aquelas pessoas que frequentemente se queixam na posição de vítimas, culpando o destino, o azar ou terceiros por suas perdas e fracassos.
  2. Aquelas pessoas que se angustiam ao perceber que cometem sempre os mesmos erros, mas ficam tão submersas no sentimento de culpa que as domina, que sentem-se paralisadas sem conseguir refletir estratégias ou possibilidades para deixar de tropeçar nas mesmas questões.

Situações que envolvem autossabotagem

Falar sobre si mesmo é difícil e envolve inúmeras resistências, por isso, caso você não tenha se identificado com algum dos perfis acima citados, vamos descrever algumas das situações que frequentemente envolvem a autossabotagem:

Problemas com o peso e dietas eternas

Seu maior desejo é perder peso e relaciona vários problemas na sua vida com seu corpo, tais como problemas na vida afetiva ou ausência de autoestima, em função das roupas que acredita não caírem tão bem. O autossabotador, neste caso, possivelmente:

  • Iniciará uma dieta na segunda-feira, desistindo dela no mesmo dia ou pouco depois;
  • Ao invés de buscar alimentação saudável e exercícios, investe seu tempo e energia buscando justificativas paraque não fazê-lo, seja por limitações de tempo ou financeiras;
  • Estipula metas difícieis de alcançar ou encontra empecilhos que facilmente seriam resolvidos. Posterga a meta para o ano seguinte, idealiza academias extremamente caras, percebe como dificuldade a falta de roupas adequadas ou tênis sofisticados para prática de exercícios físicos, ou até mesmo acredita ser conveniente perder peso para começar a academia.

Insatisfação no trabalho

Seu maior desejo é mudar de emprego e constantemente sente-se estafado no ambiente de trabalho, mas:

  • Não atualiza seu currículo ou se candidata a novas vagas;
  • Ao ser chamado para algum processo seletivo, encontra alguma razão pertinente para justificar a si mesmo que não poderá comparecer;
  • Busca empecilhos no seu perfil profissional, avaliando a si próprio como um profissional de pouco valor. Decide buscar novas vagas apenas após fazer pós-graduação, MBA ou aprender novos idiomas.

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Na busca constante de um amor

Você deseja intensamente ter um relacionamento, mas ao alguém se aproximar:

  • Não abre espaço para a intimidade, recusando encontros ou contatos mais íntimos;
  • Encontra diversos defeitos no possível parceiro, criando justificativas para si mesmo não se envolver;
  • Inicia o relacionamento, mas, mesmo satisfeito e feliz, adota atitudes que podem afastar o parceiro, tais como traições, demonstração de interesse por outras pessoas ou até mesmo faz questão de ressaltar pontos negativos ao invés de positivos, como se estivesse submetendo o parceiro a um teste de resistência.

Poupança furada

Você deseja muito guardar uma quantia de dinheiro significativa, seja para fazer uma viagem ou para adquirir um bem, mas:

  • Gasta com itens supérfluos;
  • Contrai dívidas desnecessárias;
  • Não segue as prioridades estabelecidas por você mesmo.

Displicente com a saúde

Você percebe algo de errado com sua saúde, mas:

  • Não adere o tratamento orientado pelo médico;
  • Não faz os ajustes necessários na sua rotina para melhorar sua qualidade de vida;
  • Não procura um profissional da saúde para uma avaliação detalhada.

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Qual o sentido dos comportamentos de autossabotagem?

Como citamos no início deste artigo, o ponto chave a ser compreendido é que você é a única vítima de suas armadilhas. Reflita: qual a sua responsabilidade naquilo que você se queixa?

A autossabotagem pode ter inúmeras razões conscientes ou inconscientes e dentre as mais frequentes podemos citar como principais a baixa autoestima, o medo e a ansiedade. Isolados ou combinados, estes três componentes costumam desencadear:

  • Temores relacionados a fracasso: é muito difícil se esforçar intensamente para alcançar algum objetivo e não conseguir. Por isso, torna-se mais simples se esquivar de tentativas do que cogitar a possibilidade real de ficar cara a cara com a sensação de fracasso, questionar sua capacidade e lidar com o fato de não ter conseguido;
  • Medo: as queixas encontram-se em uma zona pouco confortável, mas conhecida. Ao se expor a novas circunstâncias e emoções, estará se expondo a sensações imprevisíveis. O medo do desconhecido paralisa, estimulando a autossabotagem como uma ferramenta para autoproteção.
  • Ansiedade: nada mais é do que temer o futuro. Ao superar um obstáculo que usamos como justificativa para não alcançar outros benefícios, somos obrigados a lidar com o fato de outras circunstâncias (que seguramente não farão questionar nossa capacidade) se tornarem reais. Por exemplo, se eu argumento para mim mesmo que não estou em um relacionamento afetivo pelo excesso de peso, o que sentirei se ao emagrecer não engatar um relacionamento? Ao falar que basta aprender inglês para ofertarem novas oportunidades de trabalho, ao concluir um curso de inglês ou finalizar um intercâmbio, qual a sensação se as minhas expectativas não forem correspondidas pelo mercado de trabalho?

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Enfrentando a autossabotagem

A frustração dói e jamais estaremos livres de sermos frustrados de maneira indolor. Porém, a dor de sermos prisioneiros de nossas próprias armadilhas e medos será sempre maior do que a de correr riscos e respeitar nossos desejos e necessidades.

É fundamental que, ao se vitimizar ou procrastinar atitudes e decisões, reflita sobre o que você está sentindo naquele momento e sobre o que estará se privando. Reflita se situações se repetem com frequência na sua vida, se planos que envolvem satisfação encontram-se muito distantes da realidade atual.

Perceba que muitas situações distintas se assemelham em alguma circunstância e o único fator comum entre elas é você!

Conte com apoio profissional para receber auxílio na reflexão e no processo de autoconhecimento, encontrando estratégias para driblar as dificuldades e empecilhos que você mesmo cria e possibilitando o fortalecimento emocional que o fará esquivar-se de desistências ao longo do caminho.

Apenas se permitindo, alcançará o que tanto deseja. E você não precisa estar sozinho nesta jornada!

Fotos: por MundoPsicologos.com

Escrito por

Maitê Hammoud

Psicóloga Número do CRP: 06/112988

Psicóloga clínica com curso de aperfeiçoamento em psicanálise, é especialista no atendimento de adolescentes, adultos e terceira idade. Seguindo a abordagem psicanalítica e da terapia breve, atua com foco em transtornos emocionais e comportamentais, relacionamentos interpessoais e questões familiares.

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