​Quem define que tipo de mãe é você?

Sempre vai haver gente disposta a sinalizar seus erros e classificar você em base às suas posturas como mãe. Você é quem define que tipo de mãe você é, e a melhor forma é com autocrítica.

11 Mai 2017 Família - Leitura: min.

psicólogos

Se você é mãe, sabe como é. Basta ter um filho para que apareçam centenas de pessoas dispostas a opinar sobre como você tem levado a educação da criança. Como educar é um tema de extrema complexidade, não são raras as mães que, aflitas, começam a buscar incessantemente informações na Internet, em livros, com colegas, muitas vezes deixando de lado algo muito importante: o instinto.

A verdade é que não existe nenhum curso preparatório para essa nova função. No momento em que nasce um bebê, nasce também uma mãe, e as experiências sempre são muito diferentes, já que a primeira variável a ser considerada é a própria personalidade desse bebê.

Mas qual seria a maneira correta de criar um filho? Deveria seguir o referencial de minha própria mãe? Serei capaz de corrigir o que considero de errado em mim na hora de trasladar valores e educar meu filho?

A infinidade de dúvidas pode tirar horas de sono e gerar inúmeros questionamentos. São tantas informações e palpites que fica difícil encontrar uma maneira para ser quem você é, de manter sua essência. Daí vem a insegurança e o medo de ser julgada, culpada e condenada.

Vale ressaltar que toda e qualquer reflexão é positiva, mas cuidado com as tipologias! Quem define o tipo de mãe que você é? A Internet? O pediatra? As amigas? Os professores? Os vizinhos?

Somente você pode responder com propriedade, pois sabe exatamente o que faz e o que deixa de fazer. Antes de assumir qualquer tipologia, vale a pena parar e pensar nos distintos aspectos da sua personalidade: Por quê? Porque como não há quem consiga ser excelente em tudo, o exercício mais positivo é justamente identificar os pontos em que você tem sido equilibrada ou desmedida.

A seguir, listamos 3 características que costumam ser associadas a um tipo específico de mãe, mas que podem estar em todas elas, sendo mais ou menos problemáticas.

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Superproteção

Muitas vezes, encobre inseguranças e temor intenso de falhar, fazendo com que a mãe adote um comportamento de extrema proteção. Em casos assim, as idas frequentes ao pediatra são parte essencial da sua rotina, sendo a resposta para qualquer sobressalto.

É natural que a mãe queira proporcionar o melhor ao seu filho, mas a superproteção pode privá-lo de experiências prazerosas, retardar seu desenvolvimento e independência.

Pergunte-se:

  • Tenho dificuldade para delegar tarefas compatíveis com a idade de meu filho (recolher brinquedos, recolher o lixo, escolher a própria roupa, pentear o cabelo...)?
  • Tenho dificuldade para apoiar e incentivar que meu filho tome banho sozinho, mesmo estando em uma idade um pouco mais avançada? Fico com receio de que ele tenha dificuldades e acabo fazendo por ele?
  • Tenho tido dificuldades para apoiar meu filho a fazer coisas novas, com receio de gerar constrangimentos que ele não consiga lidar?
  • Não consigo desmamar, pensando em quanto o momento da amamentação nos faz íntimos?

Comportamentos assim precisam ser trabalhados, para evitar que a mãe atinja um ponto de estresse muito alto (por estar sempre ocupada e preocupada), mas também para não estimular uma relação de dependência, que poderia trazer prejuízos em outros aspectos da vida (amoroso, profissional e acadêmico).

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Extremismo

O que não faltam são pesquisas científicas que propõem uma educação totalmente diferente do padrão das últimas décadas. O que é melhor? Uma abordagem tradicional ou moderna? Possivelmente uma mistura, já que não há porque desconsiderar os pontos positivos de todas as correntes.

Entretanto há uma tendência por "escolher um lado" e seguir, ao pé da letra, tudo o que se diz, caindo numa postura extremista e radical.

  • Você acha que nenhuma mãe educa seus filhos tão bem quanto você?
  • Você acha que os colegas de seu filho são sobreviventes, com tantas "negligências"?
  • Você acha que alimentação de seu filho é impecável, e sabe exatamente por que não abre exceções?
  • Você prefere uma linha de brinquedos x, e só permite que seu filho tenha contato com coisas desse universo?

Cuidado! Ao ser muito extremista, poderá estar privando seu filho de ter assuntos em comum com outros colegas, estimular a culpa por reprovar interesses ou comportamentos, facilitando o surgimento de sentimentos de exclusão ou inadequação.

Não há que abrir mão de seus valores, mas se trata de estar preparada para respeitar a individualidade e personalidade de seu filho, estimulando sua qualidade de vida e favorecendo um entorno emocional saudável e equilibrado.

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Intransigência

Se, nesse caso, o referencial de educação é um modelo em que as crianças e os adolescentes são castigados por suas falhas e maus comportamentos, é possível "errar na mão" e acabar construindo um entorno tenso, sem muito espaço para diálogo e com situações que podem, inclusive, favorecer o surgimento de traumas. Reflita:

  • Você frequentemente deixa seu filho de castigo?
  • Utiliza de agressões (mesmo que leves) para punir seu filho?
  • Tem medo de perder a autoridade sobre seu filho?
  • Tem medo que, ao não ser severa, estará contribuindo para uma adolescência de rebeldia?
  • Acaba descontando no seu filho seu estresse do dia a dia ou revivendo lembranças desconfortáveis de sua infância?

Modelos assim normalmente são insatisfatórios. A partir do momento em que fundamentamos, através de um diálogo acessível, a importância de determinados ensinamentos e comportamentos, estamos favorecendo o entendimento e amadurecimento saudável, contribuindo para o desenvolvimento de um ser humano que não só confia em você para expor suas dificuldades, como também um ser crítico, capaz de refletir sobre os prós e contras de suas atitudes, seja na infância, adolescência ou vida adulta.

A busca pelo equilíbrio

Buscar o equilíbrio talvez seja a melhor opção. Nele é possível integrar qualidades de proteção, bons hábitos, definição de limites e, ainda, permitir que esta mãe tenha liberdade para sentir-se bem e flexível dentro de sua própria dinâmica de educação e relação.

Para encontrarmos este equilíbrio, tanto emocional quanto na relação, é fundamental estar em harmonia com seus próprios valores e ter desenvolvida a capacidade de empatia. Essa postura permite não só agir conforme seus próprios ideais, e se libertar da pressão de terceiros e tipologias, mas torna possível ser sensível à personalidade e necessidade de seu filho.

Quando não estamos em harmonia com nosso interior, a tendência é ceder a imposições ou projetar nos filhos valores que não são essenciais para você. A reflexão e segurança em relação à sua identidade são a base para se encontrar dentro deste equilíbrio, contribuindo com o bem-estar e a qualidade no vínculo familiar.

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Não existem fórmulas certas. Caso sinta que as coisas estão fora do eixo, procure o apoio de um psicólogo. Esse processo permitirá que você encontre suas próprias metodologias, divida angústias e dúvidas, e esteja fortalecida emocionalmente para suas decisões.

Estar em sintonia com o que você acredita, tornando-se capaz de ser afetiva e segura de suas decisões, favorecerá o vínculo com seu filho, estimulando seu desenvolvimento sadio.

Artigo: por MundoPsicologos.com e Psicóloga Maitê Hammoud

Fotos: por MundoPsicologos.com

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